Casa 327

É fato que, todos temos ao menos um amigo que vive na solidão, seja por escolha própria ou porque a vida o obrigou a viver assim. E nessa solidão na qual ele vive, segue-a como se fosse sua religião. Mas, por inúmeras vezes, este amigo mostra-se uma companhia animadora nos momentos em que estamos restaurando o império da natureza corrigindo a obra da sociedade[1].

Morais, de próprio punho


[1] Contos Fluminenses de Machado de Assis, romancista brasileiro.

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05/02/2012 at 3:15 AM Deixe um comentário

ainda dói…

Dona Cila – composição Maria Gadú

De todo o amor que eu tenho
Metade foi tu que me deu
Salvando minh’alma da vida
Sorrindo e fazendo o meu eu

Se queres partir ir embora
Me olha da onde estiver
Que eu vou te mostrar que eu to pronta
Me colha madura do pé

Salve, salve essa nega
Que axé ela tem
Te carrego no colo e te dou minha mão
Minha vida depende só do teu encanto
Cila pode ir tranquila
Teu rebanho tá pronto
Teu olho que brilha e não para
Tuas mãos de fazer tudo e até
A vida que chamo de minha
Neguinha, te encontro na fé

Me mostre um caminho agora
Um jeito de estar sem você
O apego não quer ir embora
Diaxo, ele tem que querer

Ó meu pai do céu, limpe tudo aí
Vai chegar a rainha
Precisando dormir
Quando ela chegar
Tu me faça um favor
Dê um banto a ela, que ela me benze aonde eu for

O fardo pesado que levas
Deságua na força que tens
Teu lar é no reino divino
Limpinho cheirando alecrim

dedico a minha tia-mãe, Walkíria.

22/12/2010 at 12:43 AM Deixe um comentário

fleur

Carrego em mim um jardim secreto

Flores raras, folhas novas e talos fortes

Nele nascem rosas, tulipas, gérberas…

Cruzo a ponta dos sonhos

Jogo pedras no rio da vida

Invento meu destino

Caminho pelo jardim fazendo poesia

Ato as flores em um buquê de versos

Rego a alma com o cheiro do jasmim

Brinco com o sol, recebo a chuva

Para depois saudar. O arco-íris

Num encontro celestial

Com flores abro meu caminho

Mil aromas o perfumam

Cores, radiantes o iluminam

Num passe de mágica

Posso conhecer novos mundos

Desbravar, sentir, aprender

A primavera é soberana

Rainha das estações

E eu sou princesa

Descanso em um tapete de rosas

Margaridas, violetas e jasmins

Num buquê de esperanças

Reúno vontades e fantasias

Me transformo em flor

Me cultivo como quero

Minhas raízes dançam com a terra

Sou rosa.

21/12/2010 at 4:49 PM Deixe um comentário

A valsa da vida

“Is your yelling designed to scare me because I’m not sure what I’m supposed to be scared of. More yelling? That’s not scary. That you’re gonna hurt me? That’s scary, but I’m pretty sure I can out run you.”

21/12/2010 at 2:11 PM Deixe um comentário

poesia fragmentada

CFA

21/12/2010 at 1:22 PM Deixe um comentário

Rainer Maria Rilke (1875-1926)

 

“…Tira-me a luz dos olhos – continuarei a ver-te
Tapa-me os ouvidos – continuarei a ouvir-te
E, mesmo sem pés, posso caminhar para ti
E, mesmo sem boca, posso chamar por ti.
Arranca-me os braços e tocar-te-ei com o meu coração como se fora com as mãos…
Despedaça-me o coração – e o meu cérebro baterá
E, mesmo que faças do meu cérebro uma fogueira,
Continuarei a trazer-te no meu sangue…”

20/12/2010 at 7:00 PM Deixe um comentário

Natal

O último presente


Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã. Salmo 30:5

Estela sabia que seu marido não viveria até o Natal. Em janeiro daquele ano os médicos haviam diagnosticado câncer terminal nele, e seu mundo havia desmoronado. Durante os meses que se seguiram Davi havia colocado seus negócios em ordem e dera instruções a Estela sobre como conduzir tudo. A única coisa que ele não lhe ensinara foi como viver sem ele.

E agora ele se fora, deixando nela um grande vazio. A solidão pesava sobre ela roubando-lhe energia e capacidade para desfrutar a vida, mesmo às vésperas do Natal. Chovia forte. Ela olhou pela janela e soluçou: “Oh, Davi, que saudade eu tenho de você!”

Lágrimas corriam-lhe pela face quando a campainha tocou. Quem poderia ser em meio a essa chuvarada? Ela enxugou os olhos e foi atender. Junto ao alpendre estava um jovem com uma caixa de papelão.

– Dona Estela? Tenho uma encomenda para a senhora.

Ela abriu a porta e ele entrou, depositando a caixa no chão. Então lhe entregou um envelope. Nesse momento um latido veio de dentro da caixa. Era um cãozinho Labrador dourado. O jovem então lhe disse:

– É seu. Ele está com seis semanas e é totalmente caseiro. Devíamos entregá-lo na véspera do Natal, mas os funcionários do canil vão entrar em férias amanhã. Espero que a senhora não se oponha a um presente adiantado.

Enquanto Estela gaguejava querendo explicações, o jovem disse que o marido dela o havia comprado e o deixara no canil. Era o seu último presente para ela. Em seguida foi até o carro e trouxe mais uma caixa, contendo ração, correia e um folheto intitulado “Como cuidar do seu cão Labrador”.

Estela abriu o envelope e leu a carta, escrita pelo marido três semanas antes de falecer:

“Querida Estela,

De todas as cartas que já lhe escrevi, esta é a mais difícil. Como poderei traduzir em palavras tudo o que sinto por você? Você foi a melhor esposa que um homem poderia ter. Sei como o meu câncer foi difícil para você. Não sei de onde você tirou forças para cuidar de mim, nunca reclamando de nada. Você é uma mulher forte. Quando estiver lendo esta carta eu já terei partido. Mas não será para sempre. Um dia estaremos juntos novamente. Para você não se sentir tão sozinha estou lhe mandando este filhote de Labrador. Espero que ele seja um bom companheiro. Com todo o amor, Davi.”

Estela abraçou o cãozinho e este lambeu-lhe a face. Ela então sentiu uma paz imensa invadir-lhe o ser, como se o Pai celeste a estivesse abraçando.

Ele quer abraçar você também e trazer-lhe conforto.

 

Meditação Matinal, 2010

20/12/2010 at 6:45 PM Deixe um comentário

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